Home Data de criação : 08/12/13 Última atualização : 11/10/17 11:14 / 84 Artigos publicados

BALANÇO ANUAL  (VASTO MUNDO) escrito em quinta 22 setembro 2011 07:33

Blog de fabioelionar :BLOG DO FÁBIO ELIONAR, BALANÇO ANUAL

Um dos maiores impasses que vivo em fins de ano é quando quero lembrar o que aconteceu, fazer minha Retrospectiva do que passou. Isto tudo porque minha memória é um desastre. Verdade. Lembro-me com facilidade de ideias, leituras, filmes... mas quando o assunto envolve pessoas, lugares e marco temporal aí é uma tragédia.

Se, por exemplo, tiver que lembrar como foi meu aniversário, onde passei a virada de ano, o que fiz no carnaval, preciso parar, concentrar, concentrar, concentrar... até me agarrar a flashes do que provavelmente aconteceu. Fico espantado com pessoas que se lembram de fatos ocorridos há anos, mais ainda, há pessoas que se lembram de conversas! Ainda bem que a coerência é algo que procuro cultivar obssessivamente em minha vida, caso contrário, eu seria um poço de incoerência, pois diria hoje o contrário do que afirmara ontem, isso porque eu pouco me lembro do que eu disse.

Nessas horas percebo o quanto a internet mudou o mundo. Antes, ficava dependendo de jornais e programas de retrospectiva na tv. Acontece que em fim de ano nunca tenho tempo de comprar jornais (que não justificam ser comprados nesta época, pois notícia não há, só encheção de linguiça e boataria) ou assistir a programas de tv, tão ocupados que ficamos em encontros, festas, comemorações, visitas inesperadas de pessoas distantes etc.

Aí entra o Google! Basta clicar, na hora disponível, que aparecem lá os fatos do ano, para meu conforto. É só então que consigo 'lembrar' o que aconteceu de importante (e desimportante também). Por isso insisto: viva o Google e todas as ferramentas de busca da rede. Viva a Rede!

Abaixo listo alguns endereços com tais retrospectivas para que desmiolados como eu possam participar das conversas de fim de ano sobre as coisas importantes que aconteceram em 2009.

Por falar (digitar) nisso, vou listar os CINCO fatos mais importantes para mim no ano que se encerra e convido meus três leitores a deixarem nos comentários (em 'adicionar um comentário') a sua lista dos CINCO FATOS MAIS MARCANTES DE 2009.

BOAS FESTAS! E FELIZ 2010 PARA TODOS NÓS!

LINQUES:

http://noticias.terra.com.br/retrospectiva/2009/

http://oglobo.globo.com/especiais/retrospectiva2009/

http://br.retrospectiva.yahoo.com/

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/.html

OS CINCO FATOS MAIS MARCANTES DE 2009

5. O prêmio Nobel perde muito de sua credibilidade ao conferir a Obama o Nobel da Paz sem que ele nada tenha feito de concreto diante dos conflitos sanguinários promovidos por eles mesmos.

4. A gripe suína revela ao mundo a fragilidade da higiene e do saneamento dos grandes centros urbanos diante das doenças de sempre (as velhas e as recém fabricadas).

3. As mortes de Michael Jackson, Lévi-Strauss, David Carradine, Lombardi...

2. A gloriosa vergonha tricolor, que jogou como campeão para sair do rebaixamento.

1. A queda do muro do sistema capitalista. Fato 'esquecido' pela mídia é a invenção do empréstimo (na verdade, invenção de dinheiro) de QUATRO TRILHÕES de dólares! 4 trilhões!?!, taí uma soma que foge da minha capacidade algébrica.

Que venha 2010.

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PRÊMIO NOBEL DA PAZ É CONTRA ACORDO DE PAZ (heim?...)  (VASTO MUNDO) escrito em quinta 22 setembro 2011 07:33

Recebi um e-mail da amiga Shirley sobre a questão Irã-Turquia. O texto fala por si só. Destaco a ênfase no fato de o atual prêmio Nobel da Paz agir de forma pouco pacífica, mas isto não é surpresa, surpresa foi o Nobel ter assumido e revelado sua hipocrisia ao premiar alguém por méritos futuros.

LEIAM:

Alguns recados do Irã: a paz invadiu o meu coração 

Por Beto Almeida (publicado em http://carosamigos.terra.com.br/ )

Após o anúncio do acordo construído entre Brasil, Irã e Turquia para evitar que a nação persa sofra novas sanções ou que tenha que renunciar ao seu direito de desenvolver a tecnologia nuclear para fins pacíficos, já se nota em certos segmentos políticos e midiáticos brasileiros uma tentativa de desmerecer a importância da iniciativa do presidente Lula que conseguiu apoio também da Rússia e da China.

Por isso mesmo vale colocar em realce - como já tem feito a imprensa internacional  - os desdobramentos políticos que o Acordo Nuclear Brasil-Irã-Turquia  poderá promover. A viagem de Lula à Teerã foi cercada de imenso ceticismo, silencioso ou declarado, como o da Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton que disse que o presidente brasileiro iria ter que enfrentar uma montanha de problemas, desacreditando do êxito de sua empreitada. É como se não soubesse que Lula, desde que nasceu, enfrentou os mais montanhosos e espinhosos problemas que seres humanos pobres, nascidos no Nordeste, foram obrigados a enfrentar, a começar por vencer a pena de morte a céu aberto que executava crianças nordestinas pela fome dia-a-dia, fenômeno político denunciado com franqueza e precisão por outro nordestino mundialmente respeitado, Josué de Castr o. Na mesma linha, o chanceler francês -  que não acredita que o fim da tarde é lilás  - chegou a afirmar de modo deselegante e desrespeitoso, que Lula seria embromado pelos iranianos, sendo obrigado a corrigir-se e a desculpar-se por orientação do  presidente Sarkozy, este talvez mais pragmático e interessado na bilionária venda dos aviões Rafale para o Brasil.

O acordo é uma lição para muita gente. Não seria petulante afirmar que o episódio constitui grande recado para o presidente dos EUA, Barack Obama. Afinal, não deveria ser dele, Prêmio Nobel da Paz, a iniciativa principal de promover o diálogo, insistir em saídas pacíficas, apostar em soluções cooperativas, ao invés de falar precipitadamente na lógica das sanções que, obviamente, são muito interessantes para as encomendas da indústria bélica? Talvez por ser prisioneiro do Complexo-Militar-Industrial, denunciado por um ex-presidente dos EUA, Obama ainda não demonstrou claramente estar o Prêmio nas mãos mais adequadas....

O acordo firmado entre Lula, Ahmadinejad e o chanceler turco Ebergan manda recados também para o Conselho de Segurança da ONU, que, antes mesmo de explorar as possibilidades de uma saída pelo diálogo e que não implicasse no veto aos países que  -  como o Irã e o Brasil, entre outros  -   estão desenvolvendo tecnologias nucleares para finalidades pacíficas, deu péssimo exemplo de intolerância e prepotência ao mundo. O Conselho só tem falado em sanções, em ameaças, sem sequer referir-se ao fato que a via das sanções aplicadas por ele até hoje tem resultado, fundamentalmente,  em castigos militares de gigantescos sofrimentos, perdas de vidas, destruição e rigorosamente nenhuma solução, como se observa no Afeganistão e no Iraque.

Embora o impacto internacional positivo seja inegável, o acordo traz ingredientes novos para o debate político brasileiro já que o candidato oposicionista, José Serra, manifestou-se de maneira negativa à viagem de Lula ao Irã, afirmando que nem iria lá, nem convidaria o presidente iraniano a vir ao Brasil. Se o objetivo é buscar soluções negociadas, por meio de conversações complexas e delicadas, como podem Obama, o chanceler francês, o Conselho da ONU e José Serra não privilegiarem o diálogo direto com a parte envolvida, o Irã, para se alcançar a paz? Sintonia entre tucanos e falcões....

Para a mídia sobram muitas lições, sobretudo para grande parte da mídia brasileira que, desde o anúncio da viagem de mandatário brasileiro à antiga Pérsia encontrou inúmeras qualificações negativas e pessimistas para a iniciativa, algumas de escassa qualificação, como aquelas que davam a entender que o  “Lula não se enxerga”, ou que “isto é apenas uma bravata”. Ou, então, que seria pretensioso acreditar que o Brasil poderia ter alguma importância na solução de um problema de tão grande porte e tão distante. Uma por uma estas conceituações midiáticas, provavelmente eivadas de uma certa dose de preconceito, foram, pouco a pouco, desmanchando-se no ar. Agora, até mesmo os mais pessimistas admitem que o acordo reveste-se de importância altamente relevante e que é uma vitória de Lula e da política externa brasileira independente e soberana. O mundo inteiro está discutindo o gesto brasileiro e rejeitá-lo será altamente desgastante para eles, sobretudo para o Prêmio Nobel da Paz.

O curioso é que esta mesma mídia reconhece e destaca o protagonismo de outro brasileiro, Oswaldo Aranha, quando das gestões feitas para a criação de Israel, há décadas. Mas, agora, quando Lula insiste em ter voz ativa, convocando ou até mesmo desafiando as grandes potências a empenharem-se  na via pacífica seja para o Irã, para o Iraque, como também, por desdobramento, para a Questão Palestina, nenhum reconhecimento. O difícil mesmo é acreditar que tanto o Prêmio Nobel da Paz, como os demais dirigentes dos países ricos, tenham coragem em apostar em caminhos que contrariem a indústria bélica. Coragem, que Lula, em sua dialética de retirante, tem demonstrado ter de sobra. 
 
Beto Almeida
é jornalista e membro da Junta Diretiva da Telesur

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ONDE EU MORO O NOME DISSO É TRAIRAGEM  (VASTO MUNDO) escrito em quinta 22 setembro 2011 07:33

Na FOLHA DE SÃO PAULO DE HOJE (27/05/10), o severo Clóvis Rossi comparou a proposta sugerida por Obama sobre o acordo nuclear com o Irã e a que Lula e Erdogan concretizaram. A conclusão é a seguinte: não há uma linha destoante entre o que os EUA propuseram e o que o Irã aceitou.
Portanto, é de causar indignação o teatro armado por Hillary Clinton e a fantochada da ONU (Rússia e China, inclusive) sobre o tal acordo. Várias coisas ficaram claras:
a) os EUA não acreditavam no sucesso das negociações e agora são obrigados a inventar desculpas para melar o acordo, uma vez que Lula e Erdogan fizeram o que Obama foi incapaz de fazer, ou melhor, que fingia tentar fazer;
b) a PAZ não dá lucro para os EUA, por isso o tal acordo deve ser rejeitado e motivos de enfrentamento serão inventados para justificar a GUERRA, que desde os anos 40 faz a fortuna dos empreiteiros e da indústria bélica norte-americana - por isso,  qualquer semelhança com as armas de destruição em massa de Sadam não será mera coincindência;
c) a mídia brasileira mais uma vez deixou claro sua subserviência aos EUA e o afã em ridicularizar Lula e o atual governo a qualquer custo; a GLOBO (Jabor e cia.) desceu o malho em nossa diplomacia, jornais debocharam do acordo e da atitude supostamente megalômana de Lula e Erdogan, mas os fatos provam o contrário, pena que tais fatos não aparecerão com destaque na mídia como os achincalhes aparecem (alguém já imaginou o Jabor dizendo 'eu sou uma besta'?);
d) a História é um barato, quando disseram que ela havia morrido, que os nacionalismos eram coisa do século XX, que o tabuleiro da geo-política era formado só por escaques e peças brancas (leia-se EUA e EUROPA)... eis que a tal História dá as caras em pleno XXI para desespero das carpideiras comissionadas que empunhavam os cartazes de "O FIM ACABOU!" (para quem não lembra, o Fukuyama era uma das carpideiras).
No mais, é esperar as próximas canalhices da Turma do Obama.

LEIA ABAIXO A REPORTAGEM DE CLÓVIS ROSSI

PARA LER A ÍNTEGRA DA CARTA DE CONDIÇÕES DE OBAMA SOBRE O ACORDO (clique aqui).


Pacto Brasil-Irã segue roteiro de Obama

Folha obteve íntegra de carta do americano a Lula; acordo segue todas as solicitações de texto de 20 de abril


Presidente dos EUA estimulou brasileiro a convencer Teerã a enviar seu estoque de urânio à Turquia


CLÓVIS ROSSI COLUNISTA DA FOLHA
O acordo nuclear entre o Brasil, a Turquia e o Irã segue, ponto a ponto, todas as solicitações que o presidente Barack Obama havia exposto em carta a seu colega Luiz Inácio Lula da Silva, datada de 20 de abril, apenas três semanas antes, portanto, da viagem de Lula ao Irã, da qual resultou o acordo.
A Folha obteve, com exclusividade, cópia integral da carta, na qual Obama escreve que o objetivo era oferecer "explicação detalhada" de sua perspectiva "e sugerir um caminho a seguir". Brasil e Turquia seguiram o caminho, conforme se comprova pela comparação entre os itens expostos por Obama e os que constam do acordo.
É natural, por isso, que haja perplexidade na diplomacia brasileira com a reação negativa de Washington ao acordo, antes e depois de o Irã ter formalizado o entendimento por meio de carta à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).
Primeira coincidência: Obama refere-se elogiosamente à proposta que a AIEA apresentara ao Irã, em outubro passado. "A proposta da AIEA foi modelada para ser justa e equilibrada, e para que ambos os lados ganhem confiança", escreve Obama.
O acordo Brasil-Turquia-Irã segue o molde proposto pela AIEA. Prevê, tal como especificava Obama na carta, que o Irã transfira 1.200 quilos de LEU (iniciais em inglês para urânio levemente enriquecido) para outro país.
"Quero enfatizar que este elemento é de fundamental importância para os EUA." A carta de Obama pede, ainda, um "papel central para a Rússia", o que também consta do acordo, na medida em que Moscou será responsável pelo enriquecimento do urânio a ser enviado ao Irã, em troca de seu LEU.
O presidente dos EUA queixa-se de que o Irã havia rejeitado a proposta da agência tanto em janeiro como em fevereiro deste ano e insistia em reter o LEU no próprio território iraniano. O acordo com Brasil e Turquia prevê o envio do LEU à Turquia, em vez de retê-lo no Irã.
PORTA ABERTA
Mais: o Irã deixou de exigir a simultaneidade entre a entrega de seu urânio levemente enriquecido e o recebimento do urânio enriquecido a 20%, suficiente para reatores de pesquisa, mas insuficiente para fabricar a bomba.
A carta de Obama, aliás, era específica e forte na menção à Turquia: "Gostaria de estimular o Brasil a deixar claro ao Irã a oportunidade representada por esta oferta [da AIEA] de depositar seu urânio na Turquia, enquanto o combustível nuclear está sendo produzido".
É rigorosamente o que consta do acordo de Teerã. Por fim, Obama cobra que, "para começar um processo diplomático construtivo, o Irã tem que transmitir à AIEA um compromisso construtivo de engajamento por meio de canais oficiais". Foi o que Irã fez na segunda-feira, ao encaminhar à AIEA a carta em que se compromete a cumprir o acordo firmado com Brasil e Turquia.
O compromisso com a AIEA, a entidade que pode dar validade jurídica ao acordo, constava também do documento Brasil/Irã/ Turquia. A carta afirma ainda que os EUA, "enquanto isso" [enquanto durarem as gestões turco-brasileiras], continuariam a buscar sanções ao Irã, mas deixa claro que o presidente americano "manterá a porta aberta para o engajamento com o Irã".
A primeira afirmação correspondeu aos fatos: no dia seguinte ao anúncio do acordo em Teerã, Washington divulgava na ONU pacote de sanções com apoio dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (Rússia, China, França e Reino Unido, além dos EUA). Mas a porta não foi mantida aberta, pelo menos não até agora.

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LIMITES DO ENEM (Folha de São Paulo, 13/09/2011)  (EDUCAÇÃO) escrito em terça 13 setembro 2011 03:54

Blog de fabioelionar :BLOG DO FÁBIO ELIONAR, LIMITES DO ENEM (Folha de São Paulo, 13/09/2011)
  • Este texto foi publicado hoje na Folha de São Paulo e trata do ENEM.

Editoriais

 

Limites do Enem

Exame é boa promessa de vestibular nacional, mas se presta mal à avaliação de escolas e, pior ainda, do sistema educacional do país

O Exame Nacional do Ensino Médio, cujos resultados do ano de 2010 foram divulgados ontem, desperta muita atenção de pais, alunos, professores e autoridades. Até por isso, é importante assinalar os limites da avaliação promovida pelo Ministério da Educação.
A principal característica do Enem, nos moldes que assumiu a partir de 2009, é classificar alunos para vagas em faculdades. As 59 universidades federais usam a nota do exame nacional para substituir integral ou parcialmente o seu vestibular. O Enem, portanto, tornou-se um processo seletivo nacional, com a promessa de avanços interessantes, como a realização de vários exames por ano e a possibilidade de o aluno descartar as piores notas quando for pleitear vaga em instituição superior.
Qualquer outro uso do Enem, contudo, se torna problemático. Para começar do que parece mais simples, as classificações de escolas com base na sua média do Enem estão sujeitas a distorções relevantes. A participação no exame é facultativa, e os incentivos para o comparecimento variam de escola para escola e, mais ainda, de região para região do país.
Há colégios que incentivam só seus melhores alunos a prestarem a prova. Outros criam escolas separadas com estudantes convidados. Colégios pequenos e seletivos inscrevem 20 alunos; outros, menos restritos, 200. São ações permitidas e compreensíveis, até porque parte do sistema é privado e busca atrair clientela exibindo desempenho. Mas elas inviabilizam um juízo objetivo sobre qual escola é melhor que a outra.
A distorção mais importante, entretanto, vem dos incentivos muito variados regionalmente para que a elite dos estudantes vá prestar o Enem. Em Estados como Rio e Minas, esse incentivo é o maior possível, pois as vagas mais buscadas nas universidades são federais. Em São Paulo, com a USP e a Unicamp adotando vestibulares inteiramente próprios em 2009 e 2010, a atratividade foi menor.
Esse fator serve para explicar em parte a alta frequência de escolas secundárias fluminenses e mineiras na lista das maiores médias do Enem. Quando se trata de tomar o exame para avaliar o sistema educacional do Brasil, a cautela deveria ser ainda maior.
USP e Unicamp, vale lembrar, desistiram de aceitar o Enem depois que a prova vazou em 2009, provocando incertezas e o seu adiamento. Com uma ação legislativa, pode-se argumentar, daria para resolver tudo. Torna-se o Enem obrigatório para todo concluinte do ensino médio e para o vestibular de todas as instituições superiores nacionais. Seria uma saída equivocada, arbitrária e, provavelmente, inconstitucional.
Ela feriria o princípio da autonomia das universidades e dos Estados, a quem compete o ensino secundário. Quem garante que o Ministério da Educação fará sempre os melhores e os mais seguros exames, capazes de selecionar com justiça estudantes em todo o território de um país continental?
A adesão ao Enem deve continuar a ser voluntária. À medida que a aplicação da prova ganhe credibilidade, decerto aumentarão o peso e o volume das universidades que dela se valem.
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Limites do Enem

Exame é boa promessa de vestibular nacional, mas se presta mal à avaliação de escolas e, pior ainda, do sistema educacional do país

O Exame Nacional do Ensino Médio, cujos resultados do ano de 2010 foram divulgados ontem, desperta muita atenção de pais, alunos, professores e autoridades. Até por isso, é importante assinalar os limites da avaliação promovida pelo Ministério da Educação.
A principal característica do Enem, nos moldes que assumiu a partir de 2009, é classificar alunos para vagas em faculdades. As 59 universidades federais usam a nota do exame nacional para substituir integral ou parcialmente o seu vestibular. O Enem, portanto, tornou-se um processo seletivo nacional, com a promessa de avanços interessantes, como a realização de vários exames por ano e a possibilidade de o aluno descartar as piores notas quando for pleitear vaga em instituição superior.
Qualquer outro uso do Enem, contudo, se torna problemático. Para começar do que parece mais simples, as classificações de escolas com base na sua média do Enem estão sujeitas a distorções relevantes. A participação no exame é facultativa, e os incentivos para o comparecimento variam de escola para escola e, mais ainda, de região para região do país.
Há colégios que incentivam só seus melhores alunos a prestarem a prova. Outros criam escolas separadas com estudantes convidados. Colégios pequenos e seletivos inscrevem 20 alunos; outros, menos restritos, 200. São ações permitidas e compreensíveis, até porque parte do sistema é privado e busca atrair clientela exibindo desempenho. Mas elas inviabilizam um juízo objetivo sobre qual escola é melhor que a outra.
A distorção mais importante, entretanto, vem dos incentivos muito variados regionalmente para que a elite dos estudantes vá prestar o Enem. Em Estados como Rio e Minas, esse incentivo é o maior possível, pois as vagas mais buscadas nas universidades são federais. Em São Paulo, com a USP e a Unicamp adotando vestibulares inteiramente próprios em 2009 e 2010, a atratividade foi menor.
Esse fator serve para explicar em parte a alta frequência de escolas secundárias fluminenses e mineiras na lista das maiores médias do Enem. Quando se trata de tomar o exame para avaliar o sistema educacional do Brasil, a cautela deveria ser ainda maior.
USP e Unicamp, vale lembrar, desistiram de aceitar o Enem depois que a prova vazou em 2009, provocando incertezas e o seu adiamento. Com uma ação legislativa, pode-se argumentar, daria para resolver tudo. Torna-se o Enem obrigatório para todo concluinte do ensino médio e para o vestibular de todas as instituições superiores nacionais. Seria uma saída equivocada, arbitrária e, provavelmente, inconstitucional.
Ela feriria o princípio da autonomia das universidades e dos Estados, a quem compete o ensino secundário. Quem garante que o Ministério da Educação fará sempre os melhores e os mais seguros exames, capazes de selecionar com justiça estudantes em todo o território de um país continental?
A adesão ao Enem deve continuar a ser voluntária. À medida que a aplicação da prova ganhe credibilidade, decerto aumentarão o peso e o volume das universidades que dela se valem.


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A EXPANSÃO DO BEST SELLER COMO GÊNERO LITERÁRIO - mesa redonda  (LITERATURA) escrito em quinta 12 maio 2011 12:39

Seguem abaixo os tópicos comentados na mesa redonda "A Expansão do Best Seller como Gênero Literário", que aconteceu na 1ª Semana Acadêmica de Literatura do UGB-FERP (VR) - 12 de maio de 2011.

MESA REDONDA – 1ª SEMANA ACADÊMICA DE LITERATURA DO UGB-FERP (VR)

12 maio de 2011

Prof. Ms. FÁBIO ELIONAR DO CARMO SOUZA  (UFF)

 

"A expansão do best-seller como gênero literário"

Basicamente, o que vou afirmar aqui, hoje, é que os livros rotulados como Best Sellers apresentam totais condições de serem objetos de  pesquisa dos estudos literários.

Desde já chamo a atenção para o fato de que não pretendo fazer a apologia, a exaltação desta literatura. Se eu me posicionar enquanto leitor (e não como acadêmico), posso até dizer que tenho preconceito em relação aos livros que aparecem nas listas de mais vendidos. Minha reação imediata é de que tais livros atendem a um tipo de gosto que não é o meu. E isto não quer dizer que um gosto diferente do meu seja "mau gosto".

O preconceito para mim é uma reação humana instintiva e legítima, o que não concordo é o preconceito como ação racional e deliberada. Um indivíduo tem o direito de reagir instintivamente de forma preconcebida, mas jamais um pesquisador deve agir deliberadamente de forma excludente.

TÓPICOS:

  • Vou tratar de um tema de interesse amplo para estudantes e demais leitores e que é pouco debatido na Academia: os livros que entram nas listas de mais vendidos.
  • Quais seriam os motivos deste "desinteresse"? [como comprovam os poucos estudos sobre o assunto]
  • Discordo da ideia de que há fenômenos literários que não 'merecem' ser estudados no âmbito acadêmico.

EXEMPLO: A Escola dos Anais / História Cultural => Opõem a História dos Grandes Líderes e Acontecimentos à História da Vida Privada + dos Alimentos + da Infância etc.

 

  • QUESTÃO 1: a literatura Best Seller (ou Popular / ou de Massa) é Literatura?
  • QUESTÃO 2: revisão dos termos: BEST SELLER + MASSA + POPULAR

 QUESTÃO 1: O QUE FAZ UM TEXTO SER 'LITERÁRIO'

  • PERSPECTIVA FORMALISTA: função poética + literariedade  (denotação, metáfora, desvio...) + universo ficcional + hermetismo etc. (Estruturalismo, Narratologia)
  • PERSPECTIVA SOCIOLÓGICA: caráter estético do fazer literário +  'reconhecimento' pelos pares e pelo público da obra e do autor como literários (Estética da Recepção)  + as instâncias de consagração (Bourdieu)
  • PERSPECTIVA CULTURALISTA (evitar): determinadas propriedades abstratas, baseadas em julgamento de valor, que diferenciam as grandes obras das obras menores. Não por acaso, a Alta Literatura está relacionada à produção de uma elite econômica e cultural, por sua vez, a Baixa Literatura é tudo o que atinge a um público maior em quantidade, mas rebaixado como de segunda classe.

 

QUESTÃO 2: REVISÃO DOS CONCEITOS DE CULTURA POPULAR, CULTURA DE MASSA etc.

  • História da leitura e o livro como produto voltado para um público amplo: a prensa de tipos móveis (a Bíblia adaptada); o jornal como modelo pronto (Eco).
  • A sociedade burguesa e a valorização da democratização do  conhecimento por meio da leitura => textos acessíveis => paradoxo.

MAS: Há uma herança clássica e aristocrática percebida em termos como "Belas Letras", "Alta Cultura", "Arte Literária"...

  • As concepções de

POVO (Romantismo): como ameaça ao Poder, mas também como avalista do Estado-Nação.

CLASSE (Marxismo): reconhecimento da relação de conflito entre classes.

MASSA (Escola de Frankfurt, Culturalismo) [cf. Jesús Martin-Barbero]: o público como consumidor ativo, mas pensado como ideologicamente e intelectualmente passivo.

=> MASSA* (-) x NÃO-MASSA** (+)

* a coletividade

** setores 'esclarecidos', grupos hegemônicos

=> ideia de um passado nobre e de um presente degenerado =>                           

=> manutenção de privilégios (postura CONSERVADORA) => argumentos VALORATIVOS (SUBJETIVOS) e não DESCRITIVOS (OBJETIVOS)

  • Um parêntese: Walter Benjamin e a "DESAURIFICAÇÃO DA OBRA DE ARTE", perda do sagrado artístico.
  • O termo BEST SELLER engloba todo tipo de texto que tem êxito comercial (no Brasil, mais de 5 mil livros vendidos).
  • DAÍ: Paulo Coelho, Dan Brown, J. K. Rowling, Stephen King, MAS TAMBÉM: Saramago, Rubem Fonseca, Jorge Amado...
  • FAZ-SE NECESSÁRIO delimitar o conjunto a ser analisado. Exemplo: narrativas de ficção (King + Saramago), PARA estabelecer DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS, que não são óbvias como os estudos que aí se encontram pretendem estabelecer (Muniz Sodré e Flávio Kohte enfatizam características como ENREDO SIMPLES, LINGUAGEM DENOTATIVA, PERMANÊNCIA DO MITO E DO HERÓI CLÁSSICO, MANIQUEÍSMO etc.).
  • O caso das obras encomendadas: Coleção Plenos Pecados (1998, Editora Subjetiva): Veríssimo [gula], João Ubaldo Ribeiro [luxúria], João Gilberto Noll [preguiça] dentre outros => a literatura dita Pós-Moderna tem como característica o rompimento das fronteiras.
  • Uma vertente de compreensão: UMBERTO ECO: substituição dos termos SUBLITERATURA, PARALITERATURA etc. por LITERATURA DE ENTRETENIMENTO X LITERATURA DE PROPOSTA (a partir dos categorias de "originalidade" e "esforço").  
  • Outra possibilidade: a literatura "Best Seller" e o PREDOMÍNIO de um MODELO (conservador) como marca de cada autor (mesmo estilo, tema, estrutura de enredo [final com solução dos conflitos])

=> usar os conceitos da NARRATOLOGIA (Seymour CHATMAN; Mieke BAL).

Aqui, é importante identificar autores-obras (com ou sem prestígio) em que o MODELO não se aplica.

  • PERSPECTIVA: o estudo de obras e autores de sucesso editorial é pertinente e relevante como objeto de pesquisa acadêmica. Há vários modelos teóricos que dão conta das questões suscitadas. Além disso, há interesse por parte dos alunos e do público leitor. O conhecimento objetivo das obras de sucesso editorial permite uma abordagem de qualidade crítica e o uso eficiente de tais obras no ensino de Língua Portuguesa e Literatura.

REFERÊNCIAS BÁSICAS:

ECO, Umberto. Apocalípticos e Integrados. São Paulo: Perspectiva, 2000.

MARTIN-BARBERO, Jesús. Dos Meios às Mediações. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008.

SODRÉ, Muniz. Best-Seller: a Literatura de Mercado. São Paulo: Ática, 1988.

 

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